Cidade de Pedra – 28/09/2013

Brasília, 28 de setembro de 2013

por Evandro Torezan.

O aviso foi dado desde o início da semana. Trilha difícil no calendário do Pedáguas, para os realmente preparados para uma aventura bruta em meio ao cerrado goiano, afinal, “Nossas trilhas não são tão fáceis”.

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O comboio saiu cedinho de Águas Claras, rumo à cidade de Cocalzinho de Goiás, 100 kms de Brasília. Estacionamos os carros na frente da igreja da cidade e por volta das 8h da manhã o Pedáguas cruzou a cidade rumo à sua zona rural.

No começo, um pouco de estradão pra aquecer o corpo, com meia dúzia de carros passando por nós. O Pico dos Pireneus, à nossa esquerda, nos fazia lembrar dos desafios que enfrentaríamos até o final do dia. Aos poucos a estrada foi ficando mais deserta. O visual mudou. Acertamos o dia e o lugar e fomos presenteados com dezenas de pés de cajuzinho-do-cerrado carregados, à beira da estrada. A cada pé, uma parada.

Numa curva, a cova de uma jazida de areia criou um pequeno lago de águas verdes, convidativas para um banho, mas ainda não era hora. Seguimos.

Chegamos na região da Cidade de Pedras. Da estrada não havia nada que desse sinais das belezas que encontraríamos. Entramos em single tracks de areia branca, e as rochas foram surgindo aos poucos, junto com a chuva. 

A Cidade de Pedra é uma área de cerca de 600 ha, com diversas formações rochosas em quartzito que formam cânions, labirintos e formações ruiniformes com rochas de formatos diversos, lembrando animais e rostos. Para se visitar o local, conhecido com Serra de São Gonçalo, é imprescindível a presença de um guia experiente, pois a caminhada é de dificuldade média a alta, com cerca de 10 km, em trilhas sujas de mato e muito acidentado. Não há cachoeiras ou corrégos no local. A Propriedade é particular. O local foi decretado Monumento Natural Municipal em 04 de outubro de 2005 devido ao alto grau de relevância de suas formações rochosas, endemismo de espécies e beleza cênica. Podemos avistar dobras, falhas e fraturas em quartizito e em rochas sedimentares muito bem preservadas. Há uma grande variedade espécies de flora como veloziáceas, eriocauláceas, broméliaceas e líquéns rochosos num ambiente espetacular e muito diferente do que se tem costume de ver. A Cidade de Pedra é considerada a maior cidade-de-pedra do Brasil. (http://www.pirenopolis.tur.br/turismo/atrativos/atrativos-naturais/cidade-de-pedra)

Quando a chuva aumentou, providencialmente encontramos uma rocha para nos abrigar. Aproveitamos para fazer um lanche.

A chuva passou rápido, e lá fomos nós pra parte mais sofrida do dia. A “caminhada de dificuldade média a alta, em trilhas sujas de mato e muito acidentado” foi feita da pior forma possível, ou seja, carregando a bicicleta. Descemos uma ribanceira, à beira de uma montanha de rocha pura. Neste momento a bike do Gilberto começou a dar problemas no freio traseiro. Depois de analisar o problema vimos que a parte que prende o freio ao quadro estava trincada e que ele teria que seguir com ele raspando.

A  partir daí foi um carrega bike de quase uma hora. Primeiro montanha acima, entre arbustos espinhentos, depois, entre labirintos de rocha, sempre vigiados pelo olhar atento de alguns ETs que estavam sobre as pedras. Foi tanto tempo carregando as bikes que de repente o Sid apelou e começou a pedalar. Parecia um trator roçando o mato. E foi tanto mato que o câmbio traseiro não aguentou: gancheira quebrada. Todos pensaram que seria o fim do pedal pro Sid, mas eis que ele saca uma gancheira novinha da mochila e em poucos minutos o trator estava novamente pronto pro trabalho.

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A caminhada continuou. Caminha pra cá: precipício. Caminha pra lá: paredões de pedra. Vai, volta, sobe, desce, até que um single apareceu e pudemos voltar a pedalar. Alguns kms de single track e retornamos ao começo do desvio que nos levou à Cidade de Pedras. Próximo destino: Várzea do Lobo.

A estradinha ficou áspera. Trechos de lage, rocha sólida cobrindo a estrada como se tivessem sido colocadas ali pelo homem. O Zénrique até cogitou denunciar pro TCE-Goiás aquela obra mal-feita, mas eu o desencoragei. Quando o lageado acabou encontramos muita pedra solta cobrindo a estrada até a entrada das cachoeiras, onde paramos para reagrupar. Quando o Zénrique chegou vimos o resultado de tanta pedra solta: uma pedra foi jogada pelo pneu bem na sua canela. Fez um corte e cresceu um “calombo” no lugar. A partir daí o Zé ficou abalado.

 

Seguimos para a cachoeira. A parte de cima estava cheia de gado que, curiosos, foram nos cercando. O cerrado nesta área havia queimado há pouco tempo. Ainda podíamos sentir o calor e o cheiro de fumaça. Chegamos na parte alta de uma das quedas. O riacho estava quase seco. Foi aí que o freio traseiro da bike do Gilberto quebrou de vez. Dali pra frente, só com o dianteiro.

Continuamos a trilha até onde conseguimos seguir com as bikes. Daí escondemos elas no mato e descemos o vale para encontrar as cachoeiras.

A Várzea do Lobo é um vale muito bonito e profundo. Suas bordas mantém o cerrado preservado e no fundo do vale rios cristalinos formam quedas d’água lindíssimas. É aí que ficam as Cachoeiras dos Dragões. São 8 cachoeiras e alguns poços para banho.

Chegamos no fundo do vale e pegamos uma trilha à beira do rio, dentro da mata ciliar. A trilha nos levou rumo àquela cachoeira que passamos pela parte de cima. A água rasgou a rocha e formou uma cachoeira bem alta. Com a seca, pouca água descia por ela e o poço formado na sua base acumulava um pouco de lodo. O poço estava cheio de lambaris. Tiramos algumas fotos e fomos em busca de um local mais agradável para banho.

 

Chegamos na cachoeira Nuvens do Dragão. Hora do almoço com banho de cachoeira. Todos entraram na água. O poço no meio da mata estava gelado, mas foi ótimo pra relaxar e recarregar as baterias pro restante da trilha. Os lambaris famintos nos atacavam. Almoçamos, abastecemos nossas caramanholas com água da cachoeira e voltamos pro restante da trilha. Ainda faltava metade do caminho.

Entramos no maior trecho de single tracks da trilha.

A primeira parte foi ótima. Singles descendo o vale, atravessando córregos rasos e pontes precárias. Foi num desses córregos que o Carlos Enrique “com E” caiu da bike e torceu o joelho. A partir dai o Carlos ficou abalado. Seguimos com dois abalados: Carlos Enrique “com E” e Zénrique “com H”.

E chegou a hora mais temida do dia: 7 kms serra acima. Haja perna. Quando a gente olhava pra frente e parecia que a subida estava acabando, era miragem. Subimos, passamos por porteiras e colchetes, e só paramos para reagrupar sob a sombra de uma árvore ainda a 2 kms do final. Esperamos cerca de 30 minutos até o último chegar. 

Depois do descanço, o ataque final não foi tão duro. A subida abrandou e logo vieram algumas descidas. O calor era grande. No plano, encontrei mais pés de cajuzinho, jatobá e mangaba. Fiz a feira. O Antônio Pedro, depois da subida e de alguns cajuzinhos indigestos, também ficou abalado. Seguimos com três abalados: Carlos Enrique “com E”, Zénrique “com H” e Antônio Pedro.

Depois da parada da feira, seguimos rápido até alcançarmos a BR-070, que neste trecho não tem asfalto. Ficamos observando o Pico dos Pireneus e a subida que ainda teríamos que enfrentar.

Resolvemos cortar este último desafio e deixá-lo para outra oportunidade, afinal, as esposas em uníssono diziam: “Você está de parabéns! Continue assim!”. Pegamos a BR-070 e seguimos direto para Cocalzinho.

 Ao terminar a trilha, enquanto comíamos espetinhos num quiosque na frente da igreja, a noiva chegou. Acho que ela não gostou muito daquele monte de carros, com bicicletas em cima, atrapalhando sua entrada triunfal na igreja. E ainda tinha o carro do Gilberto com o alarme disparado, contribuindo com a trilha sonora do casamento.

E como relatou o Sid: “O pedal foi bruto, mas foi muito divertido. Que visual! Teve de tudo: chuva, sol, mormaço, quebra de gancheira, quebra de pinça de freio, galera perdida, escalada com bike nas costas, subidas intermináveis, descidas técnicas e rápidas, algumas quedas, pedradas, sofrimento… mas tbm teve muito bom humor, gargalhadas, companheirismo, visuais magníficos, banho de cachoeira e etc… Bom demais!”

Resumo do dia: 65 kms. Terminamos o pedal às 16h30. Imaginem se os PDRs tivessem ido.

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Vamos para Formosa!

Por Pedaguas
 

O Pedal do Tio Kin convida o Pedaguas para duas trilhas imperdíveis nas montanhas de  Formosa – GO. Um circuito técnico em uma reserva ambiental e um ‘trip trail’ até um oásis paradisíaco.

 

Desde a primeira trilha, nosso grupo sempre foi prestigiado por membros da vizinha e simpática cidade de Formosa – GO. E prestígio é um adjetivo modesto para definir o sentimento por termos pessoas tão amigas e “do bem” entre nós, sempre animadas, divertidas, companheiras e solidárias. Os familiares e amigos da nossa querida Deny vivem marcando presença em nossos pedais noturnos, trilhas e reuniões sociais. Naturalmente, e não é de hoje, sempre existiram convites, planos e conversas para que o Pedaguas, como retribuição, fosse pedalar por lá também. Pois bem, convite aceito e finalmente marcado! E o melhor: é programa para levar a família toda, com várias atrações para quem não pedala também.

No primeiro sábado de setembro, sairemos em comboio de Águas Claras em direção ao ponto zero da Trilha Indaiá, a Fazenda Citates, uma reserva ambiental com estrutura completa de lazer.

A trilha é um circuito curto e técnico, onde foi realizada a Copa Formosa no último fim de semana. A dificuldade dependerá apenas do número de voltas que cada um quiser dar no circuito.

No fim da tarde, vamos nos hospedar e jantar no Hotel Fazenda Araras, a +/- 70 km da trilha do Indaiá, que possui lazer completo e ótimas acomodações, para todos os bolsos.


Na manhã de domingo, partiremos após o café da manhã em direção ao Poço Azul, por trilha do tipo “estradão”, onde faremos um piquinique. A distância pedalada será de 74 km no total (ida + volta) e haverá carro de apoio aos ciclistas. No fim da tarde, deixaremos o hotel e retornaremos à Águas Claras.

INSCRIÇÕES

Chegou a hora! Estão abertas as inscrições de nossa viagem para Formosa! Corra para não perder a oportunidade. Preencha o formulário abaixo.

TRANSPORTE

Não teremos transporte coletivo (ônibus), pois não houve número suficiente de interessados.

INGRESSOS, REFEIÇÕES E HOSPEDAGEM

SÁBADO: TRILHA INDAIÁ

 

 

 

 
Day Use: Fazenda Citates

 Por pessoa

Incluso:

R$32,00

Entrada ao parque; visita cachoeiras  
Trilha
Almoço s/ bebida
DOMINGO: TRILHA POÇO AZUL

 

 

 

 
Estadia no Hotel Fazenda Araras

 Camping*

 Quart0*  4 a 5 pes.

 Quarto* até 3 pes.

Incluso:

R$60,00

R$80,00

R$100,00

Por pessoa

Pernoite
JantarCafé da manhã
 Almoço na trilha  R$ 15,00
Desembolso aproximado no final de semana

                   R$107,00

        R$127,00

            R$147,00

 (Por pessoa)

(Lazer/almoço + hospedagem + jantar sábado + café manhã domingo + almoço na trilha) Reservas e pagamentos por conta de cada um.

IMPORTANTE:  

  1. As acomodações em quartos são limitadas, quando esgotarem as vagas, a única opção que restará será o camping. Aos que desejam ficar nos quartos, sugerimos providenciar o quanto antes a reserva junto ao hotel. Levaremos em conta a ordem de inscrição para a reserva.
  2. Na chegada ao Poço Azul, será servido um almoço para os ciclistas. O cardápio foi elaborado pela Deny, será galinhada com macarronada, refrigerantes, sucos, água e gelo servidos em descartáveis. O rateio é de R$ 15,00 por pessoa; bebidas alcoólicas devem ser adquiridas à parte. Os interessados devem depositar o valor do almoço até o dia 29/08, quarta-feira, na conta corrente abaixo:

Banco do Brasil – Agência: 1230-0  conta: 63978-8 – ELDENICE F. ROCHA

DETALHES DAS TRILHAS

Dia Trilha Dificuldade Custos
Sábado Indaiá Trilha curta com trechos técnicos Day Use Fazenda Citates: R$32,00 p/ pessoaIncluso:
– Entrada ao parque visita cachoeiras
– Trilha
– Almoço s/ bebida
Domingo Poço Azul Trilha longa, estradão de 74 kms Será servido um almoço: R$ 15 p/ pessoa (pagamento antecipado)

FORMULÁRIO DE INSCRIÇÃO

Inscrições encerradas!